Greyfriars Kirkyard em Edimburgo: Bobby, Harry Potter e mistérios

Greyfriars Kirkyard em Edimburgo: Bobby, Harry Potter e mistérios

O Greyfriars Kirkyard não é um cemitério comum; é um dos cantos mais mágicos, misteriosos e carregados de história de Edimburgo. Famoso no mundo todo pela comovente lealdade do cãozinho Bobby e por abrigar os túmulos que inspiraram J.K. Rowling a criar os personagens de Harry Potter, este cemitério do século XVI é uma parada imperdível na Old Town. Nesta guia, contamos suas lendas, mistérios e como encontrar seus túmulos mais famosos.

As antigas lápides de pedra do Greyfriars Kirkyard com o Castelo de Edimburgo recortando-se ao fundo.
As antigas lápides de pedra do Greyfriars Kirkyard com o Castelo de Edimburgo recortando-se ao fundo.

Estabelecido em 1562 nos antigos terrenos de um mosteiro franciscano (daí o nome Grey Friars ou frades cinzentos), o Greyfriars Kirkyard é um reflexo vivo do turbulento passado da Escócia. Aqui foi assinado o Pacto Nacional de 1638 e foram encarcerados milhares de Covenanters em condições subumanas.

Hoje em dia, longe de ser um lugar lúgubre, os moradores locais o usam como um parque tranquilo para passear, enquanto os viajantes chegam atraídos por suas fascinantes lendas populares e literárias.


1. A comovente história de Greyfriars Bobby

Bem na entrada do cemitério fica o canto mais querido de Edimburgo. Bobby era um cãozinho da raça Skye Terrier que pertencia a John Gray, um vigia noturno da polícia local. Quando Gray morreu de tuberculose em 1858 e foi enterrado no Greyfriars, Bobby se recusou a abandonar seu dono.

O cão passou os 14 anos seguintes de sua vida vivendo sobre o túmulo de seu dono, suportando os rigorosos invernos escoceses. Os vizinhos e o próprio coveiro o alimentavam até que Bobby faleceu em 1872. Como não era permitido enterrar animais em solo sagrado, Bobby foi sepultado bem na entrada do cemitério, em terra não consagrada.

🔴 O mito da estátua: Bem do lado de fora do cemitério está a famosa estátua de bronze de Bobby. Há uma tradição turística (falsa e destrutiva) de tocar em seu nariz para dar sorte. Não faça isso! O atrito de milhares de pessoas está desgastando o metal. Os moradores locais apreciam muito que os viajantes respeitem a estátua sem tocá-la.

A estátua de Bobby, uma lenda de Edimburgo, na entrada do cemitério Greyfriars. Escócia.
A estátua de Bobby, uma lenda de Edimburgo, na entrada do cemitério Greyfriars. Escócia.

2. A rota de Harry Potter: Onde está Lord Voldemort?

J.K. Rowling escreveu grande parte dos primeiros livros em cafeterias próximas ao cemitério (como The Elephant House) e costumava passear pelo Greyfriars em busca de inspiração. Se você prestar atenção nos nomes das lápides, reconhecerá a origem de vários personagens icônicos:

  • Thomas Riddell (Lord Voldemort): É o túmulo mais procurado. Rowling adaptou este nome real para criar Tom Marvolo Riddle. A lápide costuma ter flores, cartas e varinhas deixadas pelos fãs.
  • William McGonagall: Um poeta real, considerado historicamente o "pior poeta da Escócia". Rowling usou seu sobrenome para a querida professora de transfiguração, Minerva McGonagall.
  • Elizabeth Moodie: Acredita-se que daqui nasceu o nome do auror Alastor "Olho-Tonto" Moody (Mad-Eye Moody).
  • Rufus Scrimgeour: Outra lápide que compartilha o sobrenome com o Ministro da Magia dos últimos livros.
O famoso túmulo de Thomas Riddell no Greyfriars Kirkyard, local de peregrinação para fãs de Harry Potter. Edimburgo.
O famoso túmulo de Thomas Riddell no Greyfriars Kirkyard, local de peregrinação para fãs de Harry Potter. Edimburgo.

3. Ladrões de túmulos e grades de proteção (Mortsafes)

Durante o século XVIII e início do século XIX, Edimburgo era o centro mundial da pesquisa médica, mas as universidades precisavam de cadáveres legais para as aulas de anatomia e não havia o suficiente. Isso deu origem aos ressurreccionistas ou ladrões de túmulos, que desenterravam corpos recém-enterrados para vendê-los aos cirurgiões.

Para evitar isso, as famílias ricas instalavam os mortsafes: pesadas gaiolas de ferro ou lajes de pedra maciça sobre os túmulos para proteger os corpos durante as primeiras semanas de decomposição, até que não servissem mais para a ciência. Se você caminhar junto aos muros do cemitério, verá várias dessas espetaculares gaiolas de ferro originais.


4. O Poltergeist de MacKenzie: O lado mais macabro

O Greyfriars tem a reputação de ser um dos cemitérios mais mal-assombrados do mundo devido a George MacKenzie, um advogado do século XVII conhecido como "O sanguinário MacKenzie" por sua brutal perseguição e tortura aos Covenanters (presbiterianos escoceses).

MacKenzie foi enterrado em um grande mausoléu circular dentro do cemitério. A lenda urbana conta que, no final dos anos 90, um morador de rua forçou a entrada do mausoléu para se refugiar do frio e quebrou o chão do caixão. Desde então, centenas de visitantes em tours noturnos relataram ter sofrido arranhões, hematomas ou desmaios inexplicáveis ao se aproximar da área. Hoje em dia, essa seção traseira do cemitério está trancada a chave e só pode ser visitada com guias autorizados.

O mausoléu circular de George MacKenzie no cemitério de Greyfriars.
O mausoléu circular de George MacKenzie no cemitério de Greyfriars.

Dicas Práticas para visitar o Greyfriars Kirkyard

Como encontrar os túmulos de Harry Potter:

O cemitério é um labirinto. O túmulo de Thomas Riddell fica na seção traseira, cruzando o arco de pedra em direção ao muro que dá para o colégio George Heriot's School (a escola que inspirou a estrutura das casas de Hogwarts).

Horários e preço:

O cemitério é público e 100% gratuito. Fica aberto 24 horas, mas o ideal é visitá-lo de dia para ler bem as lápides, ou participar de um tour de fantasmas à noite se você busca adrenalina.

Localização:

Fica no final de George IV Bridge, bem ao lado do Museu Nacional da Escócia e a apenas 2 minutos de caminhada da Victoria Street.

O mito popular em Edimburgo diz que tocar o nariz do Bobby dá sorte.
O mito popular em Edimburgo diz que tocar o nariz do Bobby dá sorte.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Onde exatamente está enterrado o cãozinho Bobby?

Sua lápide vermelha comemorativa de granito fica logo após os portões principais do cemitério, sobre a grama. É muito fácil de ver porque as pessoas costumam deixar gravetos de madeira e brinquedos como oferenda.

É permitido entrar com cães?

Sim, ironicamente, cães bem-comportados e na coleira são bem-vindos para passear pelo cemitério, fazendo jus ao próprio Bobby.

É seguro ir à noite?

Sim, a área fica bem no centro e é segura, embora não tenha iluminação artificial interna, então você precisará da lanterna do seu celular para não tropeçar nas raízes das árvores e nas lápides no chão.


Bem na entrada do cemitério fica o canto mais querido de Edimburgo. Bobby era um cãozinho da raça Skye Terrier que pertencia a John Gray, um vigia noturno da polícia local. Quando Gray morreu de tuberculose em 1858 e foi enterrado no Greyfriars, Bobby se recusou a abandonar seu dono.

O cão passou os 14 anos seguintes de sua vida vivendo sobre o túmulo de seu dono, suportando os rigorosos invernos escoceses. Os vizinhos e o próprio coveiro o alimentavam até que Bobby faleceu em 1872. Como não era permitido enterrar animais em solo sagrado, Bobby foi sepultado bem na entrada do cemitério, em terra não consagrada.

🔴 O mito da estátua: Bem do lado de fora do cemitério está a famosa estátua de bronze de Bobby. Há uma tradição turística (falsa e destrutiva) de tocar em seu nariz para dar sorte. Não faça isso! O atrito de milhares de pessoas está desgastando o metal. Os moradores locais apreciam muito que os viajantes respeitem a estátua sem tocá-la.

A estátua de Bobby, uma lenda de Edimburgo, na entrada do cemitério Greyfriars. Escócia.
A estátua de Bobby, uma lenda de Edimburgo, na entrada do cemitério Greyfriars. Escócia.

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J.K. Rowling escreveu grande parte dos primeiros livros em cafeterias próximas ao cemitério (como The Elephant House) e costumava passear pelo Greyfriars em busca de inspiração. Se você prestar atenção nos nomes das lápides, reconhecerá a origem de vários personagens icônicos:

  • Thomas Riddell (Lord Voldemort): É o túmulo mais procurado. Rowling adaptou este nome real para criar Tom Marvolo Riddle. A lápide costuma ter flores, cartas e varinhas deixadas pelos fãs.
  • William McGonagall: Um poeta real, considerado historicamente o "pior poeta da Escócia". Rowling usou seu sobrenome para a querida professora de transfiguração, Minerva McGonagall.
  • Elizabeth Moodie: Acredita-se que daqui nasceu o nome do auror Alastor "Olho-Tonto" Moody (Mad-Eye Moody).
  • Rufus Scrimgeour: Outra lápide que compartilha o sobrenome com o Ministro da Magia dos últimos livros.
O famoso túmulo de Thomas Riddell no Greyfriars Kirkyard, local de peregrinação para fãs de Harry Potter. Edimburgo.
O famoso túmulo de Thomas Riddell no Greyfriars Kirkyard, local de peregrinação para fãs de Harry Potter. Edimburgo.

Durante o século XVIII e início do século XIX, Edimburgo era o centro mundial da pesquisa médica, mas as universidades precisavam de cadáveres legais para as aulas de anatomia e não havia o suficiente. Isso deu origem aos ressurreccionistas ou ladrões de túmulos, que desenterravam corpos recém-enterrados para vendê-los aos cirurgiões.

Para evitar isso, as famílias ricas instalavam os mortsafes: pesadas gaiolas de ferro ou lajes de pedra maciça sobre os túmulos para proteger os corpos durante as primeiras semanas de decomposição, até que não servissem mais para a ciência. Se você caminhar junto aos muros do cemitério, verá várias dessas espetaculares gaiolas de ferro originais.


O Greyfriars tem a reputação de ser um dos cemitérios mais mal-assombrados do mundo devido a George MacKenzie, um advogado do século XVII conhecido como "O sanguinário MacKenzie" por sua brutal perseguição e tortura aos Covenanters (presbiterianos escoceses).

MacKenzie foi enterrado em um grande mausoléu circular dentro do cemitério. A lenda urbana conta que, no final dos anos 90, um morador de rua forçou a entrada do mausoléu para se refugiar do frio e quebrou o chão do caixão. Desde então, centenas de visitantes em tours noturnos relataram ter sofrido arranhões, hematomas ou desmaios inexplicáveis ao se aproximar da área. Hoje em dia, essa seção traseira do cemitério está trancada a chave e só pode ser visitada com guias autorizados.

O mausoléu circular de George MacKenzie no cemitério de Greyfriars.
O mausoléu circular de George MacKenzie no cemitério de Greyfriars.

Como encontrar os túmulos de Harry Potter:

O cemitério é um labirinto. O túmulo de Thomas Riddell fica na seção traseira, cruzando o arco de pedra em direção ao muro que dá para o colégio George Heriot's School (a escola que inspirou a estrutura das casas de Hogwarts).

Horários e preço:

O cemitério é público e 100% gratuito. Fica aberto 24 horas, mas o ideal é visitá-lo de dia para ler bem as lápides, ou participar de um tour de fantasmas à noite se você busca adrenalina.

Localização:

Fica no final de George IV Bridge, bem ao lado do Museu Nacional da Escócia e a apenas 2 minutos de caminhada da Victoria Street.

O mito popular em Edimburgo diz que tocar o nariz do Bobby dá sorte.
O mito popular em Edimburgo diz que tocar o nariz do Bobby dá sorte.

Onde exatamente está enterrado o cãozinho Bobby?

Sua lápide vermelha comemorativa de granito fica logo após os portões principais do cemitério, sobre a grama. É muito fácil de ver porque as pessoas costumam deixar gravetos de madeira e brinquedos como oferenda.

É permitido entrar com cães?

Sim, ironicamente, cães bem-comportados e na coleira são bem-vindos para passear pelo cemitério, fazendo jus ao próprio Bobby.

É seguro ir à noite?

Sim, a área fica bem no centro e é segura, embora não tenha iluminação artificial interna, então você precisará da lanterna do seu celular para não tropeçar nas raízes das árvores e nas lápides no chão.


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