Galeria de Arte Moderno de Glasgow (GoMA): Guia de Visita e a História do Cone

Galeria de Arte Moderno de Glasgow (GoMA): Guia de Visita e a História do Cone

Localizada no coração da Royal Exchange Square, a GoMA é o museu de arte contemporânea mais visitado da Escócia. Mas por trás de suas imponentes colunas neoclássicas esconde-se uma história de contrastes: desde palácio de um magnate do tabaco construído com fortunas coloniais até se tornar um espaço público gratuito que desafia o poder. Custodiada pela famosa estátua do Duque de Wellington com seu eterno cone de trânsito, a GoMA é uma parada obrigatória na sua passagem por Glasgow.

Fachada neoclássica da Galeria de Arte Moderno de Glasgow (GoMA) com a estátua do Duque de Wellington em primeiro plano.
Fachada neoclássica da Galeria de Arte Moderno de Glasgow (GoMA) com a estátua do Duque de Wellington em primeiro plano.

Se há um edifício que resume com perfeição a essência de Glasgow — seu grandioso passado arquitetônico, sua vibrante cena artística e, sobretudo, o humor irreverente de seus habitantes — esse edifício é a Galeria de Arte Moderno (conhecida carinhosamente como GoMA).

Localizada na bela e peatonal Royal Exchange Square, logo no final da movimentada zona comercial de Buchanan Street, a GoMA não é apenas um recipiente de arte contemporânea. É um símbolo da identidade da cidade, um ponto de encontro social e o lar do "monumento" mais fotografado de toda a Escócia.


A História da Estátua do Duque de Wellington e o Cone

Antes de cruzar as portas do museu, é obrigatório parar em frente à estátua equestre de bronze do Duque de Wellington, esculpida pelo artista italiano Carlo Marochetti em 1844. O que a torna famosa mundialmente não é o seu valor escultórico, mas o cone de trânsito laranja e branco que coroa a cabeça do duque.

Como começou essa tradição?

A história começou em meados da década de 1980 como uma brincadeira recorrente de estudantes e brincalhões locais após uma noite de bebedeira. Eles escalavam a estátua à noite e colocavam um cone de trânsito como chapéu.

Durante anos, a Prefeitura de Glasgow e a polícia retiravam o cone imediatamente, argumentando que ele danificava o bronze e passava uma "má imagem" da cidade. No entanto, na noite seguinte, um cone novo aparecia. Em 2013, a prefeitura propôs um plano para duplicar a altura do pedestal e assim desestimular os escaladores, o que custaria cerca de £65.000.

A vitória do povo

A reação do povo de Glasgow foi imediata: uma petição online sob o lema "Keep the Cone" (Deixem o cone) reuniu mais de 10.000 assinaturas em 24 horas, e uma manifestação pacífica foi convocada. Diante da pressão popular, a prefeitura retirou a proposta. Hoje em dia, o cone é considerado oficialmente um símbolo do orgulho, da rebeldia e do humor engenhoso de Glasgow, e até marcas globais e guias turísticos oficiais o utilizam para representar a cidade. Às vezes, em ocasiões especiais como o Orgulho LGBT ou eventos esportivos, o cone muda de cor!

Detalhe da estátua do Duque de Wellington com o icônico cone de trânsito laranja e branco na cabeça.
Detalhe da estátua do Duque de Wellington com o icônico cone de trânsito laranja e branco na cabeça.

O Edifício: De Mansão de Escravocratas a Galeria Pública

O edifício da GoMA é uma joia neoclássica com uma história fascinante e complexa. Ele foi construído originalmente em 1778 como uma luxuosa mansão residencial para William Cunninghame, um dos "Senhores do Tabaco" (Tobacco Lords) mais ricos de Glasgow, cuja fortuna foi construída diretamente sobre o comércio colonial de bens produzidos por pessoas escravizadas nas plantações da América do Norte e do Caribe.

Com os anos, o edifício teve várias vidas:

  • Em 1827, foi adquirido pelo Royal Bank of Scotland e reformado substancialmente, ganhando a magnífica colunata coríntia e a cúpula que vemos hoje.
  • Posteriormente, abrigou a Bolsa de Valores da cidade (Royal Exchange).
  • Durante grande parte do século XX, funcionou como a biblioteca pública da cidade.
  • Finalmente, em 1996, reabriu as portas reformado como a Galeria de Arte Moderno de Glasgow. O fato de um palácio neoclássico erguido com fortunas da era colonial ser hoje um espaço público gratuito dedicado a abrigar arte contemporânea (muitas vezes de caráter social, crítico e político) é uma das reviravoltas mais bonitas da história urbana de Glasgow.

O que ver dentro da GoMA

Ao contrário dos museus de belas artes tradicionais, a GoMA não abriga galerias repletas de pinturas clássicas a óleo com molduras douradas. Seu foco está firmemente centrado na arte moderna e contemporânea, expondo obras que vão desde os anos 1960 até a atualidade.

A galeria conta com quatro andares de exposição permanente e instalações temporárias que rotulam continuamente:

  • Obras de artistas locais e internacionais: Você pode encontrar peças de criadores escoceses renomados como Douglas Gordon, Christine Borland ou John Bellany, bem como obras de artistas internacionais do porte de Andy Warhol, David Hockney ou Sebastião Salgado.
  • Instalações interativas e multimídia: Grande parte das exposições da GoMA utiliza arte em vídeo, escultura interativa, fotografia e arte sonora para abordar temas atuais de alta relevância, como direitos humanos, mudança climática, identidade de gênero e globalização.
  • A Biblioteca da GoMA: Localizada no subsolo do edifício, é uma bela biblioteca pública aberta a todos, com terminais de internet, áreas de estudo e uma seção especializada em arte e design.

Banksy e sua histórica exposição "Cut & Run" (2023)

No verão de 2023, a GoMA foi o cenário de um marco histórico no mundo da arte: o misterioso artista de rua Banksy a escolheu com exclusividade para abrigar "Cut & Run", sua primeira exposição individual autorizada em 14 anos. A mostra incluía os stencils originais de suas obras mais famosas entre 1998 e 2023. O próprio Banksy declarou que escolheu a GoMA porque o monumento do Duque de Wellington com o cone de trânsito era sua "obra de arte favorita de todo o Reino Unido".


Valor do ingresso

  • Entrada 100% gratuita: Assim como todos os museus municipais de Glasgow, a entrada para as exposições permanentes da GoMA é totalmente gratuita para locais e turistas. Nenhuma reserva prévia é necessária.
  • (Nota: Ocasionalmente, algumas exposições temporárias muito específicas podem ter custo de entrada).

Horários de visita (2026)

  • Segunda a quarta-feira: das 10:00 às 17:00.
  • Quinta-feira: das 10:00 às 20:00 (ideal para visitas noturnas).
  • Sexta-feira: das 11:00 às 17:00.
  • Sábados e domingos: das 10:00 às 17:00.

Como chegar à GoMA

  • A pé: Por estar bem no centro nevrálgico, é super fácil chegar a pé de qualquer hotel no City Centre. Ela fica na Royal Exchange Square, a apenas 3 minutos de caminhada da George Square e cruzando a movimentada rua de pedestres Buchanan Street.
  • De Metrô: As estações mais próximas são Buchanan Street e St Enoch (ambas a apenas 5 minutos a pé).
  • De Trem: Fica a menos de 5 minutos da estação de trem Glasgow Queen Street e a cerca de 7 minutos da estação Glasgow Central.

Dicas úteis para a sua visita

  • Combine sua visita com uma pausa para o café: A Royal Exchange Square é uma das praças de pedestres mais bonitas de Glasgow. As arcadas de pedra que cercam a GoMA abrigam excelentes cafeterias com mesas ao ar livre, ideais para tomar algo depois de percorrer as galerias.
  • Aproveite a iluminação noturna: Ao cair da noite, a fachada neoclássica da GoMA se ilumina espetacularmente com luzes coloridas e a praça se enche de cordões de luzes brancas suspensas. É um dos cartões-postais noturnos mais românticos da cidade.
  • Aproveite a lojinha do museu: A GoMA conta com uma das melhores lojas de presentes culturais da cidade. É o lugar perfeito para comprar cartões postais de design criados por artistas locais, livros de arte contemporânea ou souvenirs originais relacionados à famosa estátua do cone.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Quanto tempo é necessário para visitar a GoMA?

O museu é relativamente pequeno comparado a galerias de outras capitais europeias. Uma visita completa passando por todas as salas de exposição levará entre 1 hora e 1h30.

De quem é a estátua do cone e por que não a retiram permanentemente?

A estátua representa Arthur Wellesley, o primeiro Duque de Wellington (famoso por derrotar Napoleão em Waterloo). A polícia e a prefeitura já não tentam retirar o cone diariamente porque aceitaram que ele faz parte do patrimônio imaterial, da cultura popular e do ímã turístico que define a Glasgow moderna.

O museu é acessível para pessoas com mobilidade reduzida ou carrinhos de bebê?

Sim, o museu conta com rampas de acesso adaptadas na entrada principal, elevadores que comunicam todos os andares de exposição e banheiros totalmente acessíveis.


Antes de cruzar as portas do museu, é obrigatório parar em frente à estátua equestre de bronze do Duque de Wellington, esculpida pelo artista italiano Carlo Marochetti em 1844. O que a torna famosa mundialmente não é o seu valor escultórico, mas o cone de trânsito laranja e branco que coroa a cabeça do duque.

Como começou essa tradição?

A história começou em meados da década de 1980 como uma brincadeira recorrente de estudantes e brincalhões locais após uma noite de bebedeira. Eles escalavam a estátua à noite e colocavam um cone de trânsito como chapéu.

Durante anos, a Prefeitura de Glasgow e a polícia retiravam o cone imediatamente, argumentando que ele danificava o bronze e passava uma "má imagem" da cidade. No entanto, na noite seguinte, um cone novo aparecia. Em 2013, a prefeitura propôs um plano para duplicar a altura do pedestal e assim desestimular os escaladores, o que custaria cerca de £65.000.

A vitória do povo

A reação do povo de Glasgow foi imediata: uma petição online sob o lema "Keep the Cone" (Deixem o cone) reuniu mais de 10.000 assinaturas em 24 horas, e uma manifestação pacífica foi convocada. Diante da pressão popular, a prefeitura retirou a proposta. Hoje em dia, o cone é considerado oficialmente um símbolo do orgulho, da rebeldia e do humor engenhoso de Glasgow, e até marcas globais e guias turísticos oficiais o utilizam para representar a cidade. Às vezes, em ocasiões especiais como o Orgulho LGBT ou eventos esportivos, o cone muda de cor!

Detalhe da estátua do Duque de Wellington com o icônico cone de trânsito laranja e branco na cabeça.
Detalhe da estátua do Duque de Wellington com o icônico cone de trânsito laranja e branco na cabeça.

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O edifício da GoMA é uma joia neoclássica com uma história fascinante e complexa. Ele foi construído originalmente em 1778 como uma luxuosa mansão residencial para William Cunninghame, um dos "Senhores do Tabaco" (Tobacco Lords) mais ricos de Glasgow, cuja fortuna foi construída diretamente sobre o comércio colonial de bens produzidos por pessoas escravizadas nas plantações da América do Norte e do Caribe.

Com os anos, o edifício teve várias vidas:

  • Em 1827, foi adquirido pelo Royal Bank of Scotland e reformado substancialmente, ganhando a magnífica colunata coríntia e a cúpula que vemos hoje.
  • Posteriormente, abrigou a Bolsa de Valores da cidade (Royal Exchange).
  • Durante grande parte do século XX, funcionou como a biblioteca pública da cidade.
  • Finalmente, em 1996, reabriu as portas reformado como a Galeria de Arte Moderno de Glasgow. O fato de um palácio neoclássico erguido com fortunas da era colonial ser hoje um espaço público gratuito dedicado a abrigar arte contemporânea (muitas vezes de caráter social, crítico e político) é uma das reviravoltas mais bonitas da história urbana de Glasgow.

Ao contrário dos museus de belas artes tradicionais, a GoMA não abriga galerias repletas de pinturas clássicas a óleo com molduras douradas. Seu foco está firmemente centrado na arte moderna e contemporânea, expondo obras que vão desde os anos 1960 até a atualidade.

A galeria conta com quatro andares de exposição permanente e instalações temporárias que rotulam continuamente:

  • Obras de artistas locais e internacionais: Você pode encontrar peças de criadores escoceses renomados como Douglas Gordon, Christine Borland ou John Bellany, bem como obras de artistas internacionais do porte de Andy Warhol, David Hockney ou Sebastião Salgado.
  • Instalações interativas e multimídia: Grande parte das exposições da GoMA utiliza arte em vídeo, escultura interativa, fotografia e arte sonora para abordar temas atuais de alta relevância, como direitos humanos, mudança climática, identidade de gênero e globalização.
  • A Biblioteca da GoMA: Localizada no subsolo do edifício, é uma bela biblioteca pública aberta a todos, com terminais de internet, áreas de estudo e uma seção especializada em arte e design.

Banksy e sua histórica exposição "Cut & Run" (2023)

No verão de 2023, a GoMA foi o cenário de um marco histórico no mundo da arte: o misterioso artista de rua Banksy a escolheu com exclusividade para abrigar "Cut & Run", sua primeira exposição individual autorizada em 14 anos. A mostra incluía os stencils originais de suas obras mais famosas entre 1998 e 2023. O próprio Banksy declarou que escolheu a GoMA porque o monumento do Duque de Wellington com o cone de trânsito era sua "obra de arte favorita de todo o Reino Unido".


  • Entrada 100% gratuita: Assim como todos os museus municipais de Glasgow, a entrada para as exposições permanentes da GoMA é totalmente gratuita para locais e turistas. Nenhuma reserva prévia é necessária.
  • (Nota: Ocasionalmente, algumas exposições temporárias muito específicas podem ter custo de entrada).

  • Segunda a quarta-feira: das 10:00 às 17:00.
  • Quinta-feira: das 10:00 às 20:00 (ideal para visitas noturnas).
  • Sexta-feira: das 11:00 às 17:00.
  • Sábados e domingos: das 10:00 às 17:00.

  • A pé: Por estar bem no centro nevrálgico, é super fácil chegar a pé de qualquer hotel no City Centre. Ela fica na Royal Exchange Square, a apenas 3 minutos de caminhada da George Square e cruzando a movimentada rua de pedestres Buchanan Street.
  • De Metrô: As estações mais próximas são Buchanan Street e St Enoch (ambas a apenas 5 minutos a pé).
  • De Trem: Fica a menos de 5 minutos da estação de trem Glasgow Queen Street e a cerca de 7 minutos da estação Glasgow Central.

  • Combine sua visita com uma pausa para o café: A Royal Exchange Square é uma das praças de pedestres mais bonitas de Glasgow. As arcadas de pedra que cercam a GoMA abrigam excelentes cafeterias com mesas ao ar livre, ideais para tomar algo depois de percorrer as galerias.
  • Aproveite a iluminação noturna: Ao cair da noite, a fachada neoclássica da GoMA se ilumina espetacularmente com luzes coloridas e a praça se enche de cordões de luzes brancas suspensas. É um dos cartões-postais noturnos mais românticos da cidade.
  • Aproveite a lojinha do museu: A GoMA conta com uma das melhores lojas de presentes culturais da cidade. É o lugar perfeito para comprar cartões postais de design criados por artistas locais, livros de arte contemporânea ou souvenirs originais relacionados à famosa estátua do cone.

Quanto tempo é necessário para visitar a GoMA?

O museu é relativamente pequeno comparado a galerias de outras capitais europeias. Uma visita completa passando por todas as salas de exposição levará entre 1 hora e 1h30.

De quem é a estátua do cone e por que não a retiram permanentemente?

A estátua representa Arthur Wellesley, o primeiro Duque de Wellington (famoso por derrotar Napoleão em Waterloo). A polícia e a prefeitura já não tentam retirar o cone diariamente porque aceitaram que ele faz parte do patrimônio imaterial, da cultura popular e do ímã turístico que define a Glasgow moderna.

O museu é acessível para pessoas com mobilidade reduzida ou carrinhos de bebê?

Sim, o museu conta com rampas de acesso adaptadas na entrada principal, elevadores que comunicam todos os andares de exposição e banheiros totalmente acessíveis.


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